**AVISO: O post a seguir pode conter spoilers!**
Meu post de inauguração será sobre um dos meus mangás mais queridos: Nana.
Quando crescemos e nos tornamos adultos, surgem diversas dificuldades ao longo do caminho. Situações como arrumar emprego, morar sozinho, se sustentar, pagar contas e selecionar amizades e paixões podem ser um verdadeiro desafio para quem nunca esteve acostumado a se virar por conta própria.
Nana trata exatamente sobre esse tema: as dificuldades de quem passa pela primeira vez pelo processo de independência.
As protagonistas são duas garotas japonesas de mesmo nome. Nana Oosaki tem 20 anos, e desde a adolescência aprendeu a cuidar de si mesma. Abandonada ainda criança pela mãe, e sem nunca ter conhecido o pai, foi criada pela avó materna, que, aparentemente, não era a mais amorosa das vovós. Assim, criada sem o amor dos pais e da avó, Nana aprendeu desde cedo a conseguir seu próprio dinheiro, largando a escola para trabalhar enquanto corria atrás do sonho de se tornar cantora.
Já Nana Komatsu, também de 20 anos, é diametralmente o oposto de Oosaki: criada em uma família amorosa, cercada de mimos e cuidados, ela se vê sem chão ao terminar o ensino médio e ver que todos os seus amigos estão correndo atrás do vestibular em outra cidade. Temendo ficar sozinha, ela também se vê obrigada a buscar a independência financeira e afetiva, e se muda para a capital, Tóquio, à procura de uma casa e um emprego.
A história gira em torno das duas garotas chamadas Nana, de como elas se conheceram, como passaram a dividir o mesmo apartamento, como enfrentaram juntas as dificuldades inerentes a quem almeja a tão sonhada independência, e sobretudo, como se tornaram melhores amigas e confidentes.
Quando se lê o mangá, é impossível não se identificar com as meninas, justamente por elas passarem por situações tão comuns e cotidianas a todos nós. A falta de dinheiro ainda na metade do mês, a dor de uma traição, ver um sonho desmoronando, o medo do desemprego, e até uma gravidez não planejada, tudo isso nos é passado de uma forma muito realista, ainda que com geniais toques de humor da autora. Em algum momento certamente o leitor vai ler a página e pensar: "Caraca, eu já passei por isso".
Tudo bem que na metade da série a autora descamba para uma leva de acontecimentos confusos e destrambelhados, e o mangá acaba se tornando mais uma novela dramática do que um relato emocionante de duas jovens em suas vidas cotidianas... Mas não tira o encanto que eu sinto por essa série.
Não somente pela beleza dos traços de Ai Yazawa, que consegue desenhar personagens visualmente lindos e extremamente variados, mas também e principalmente pelo carisma e personalidade de grande parte deles. Cada um dos personagens centrais tem uma história pessoal, uma personalidade distinta e que o destaca dos demais, com um papel muito bem definido na trama, por mais que ela sofra alterações ao longo da série.
Infelizmente, trata-se de uma obra inacabada. A autora nunca finalizou o mangá, tampouco há indícios de que ela o fará algum dia. O hiato já dura uns bons 10 anos, e pelos fortes rumores de que a autora desencantou-se com a série e não pretende retomá-la nunca mais, os fãs terão que se conformar com os inúmeros fanfics que criam os mais diversos finais para o mangá.
E você aí reclamando de Hunter x Hunter e Berserk... Ora, vá!
Assim, resolvi elaborar uma lista pessoal com meus 5 personagens favoritos de Nana, como forma de relembrar os bons momentos vividos ao ler o mangá.
Tudo bem que a série possui personagens suficientes para se fazer uma lista com 10 ou 15 favoritos, mas infelizmente são poucos os que realmente se destacam na série. A maioria dos personagens - principalmente os que aparecem na segunda metade da série - são rasos e pouco memoráveis, servindo apenas como gatilhos para uma nova subtrama ou para se fazer uma história parada andar. Dessa forma, selecionei os 5 daqueles que mais se destacaram no decorrer da série, com algumas menções honrosas no final para aqueles que não tiveram espaço suficiente para ganhar um lugar de destaque na lista, ou que não sejam suficientemente dignos de aparecer na lista principal.
Aliás, com exceção da cena de abertura do post, estarei usando somente as ilustrações originais do mangá. Não cheguei a assistir muitos episódios do anime, mas pelo pouco que assisti, não gostei. Achei mais uma sequência de cenas paradas retiradas do mangá, com cores e sons, do que uma adaptação animada. E o live action, bem... Acho que quanto menos eu falar dele, melhor será.
Vamos à lista, em ordem crescente de preferência!
5º Lugar: Yuri Koosaka
Por muito pouco, Yuri não figurou como uma das integrantes de uma outra lista de personagens de Nana que pretendo fazer futuramente... A de personagens mais chatos. Mas, depois de muito analisar, cheguei à conclusão que ela merece sim estar na minha lista de favoritos.
Yuri é uma atriz pornô relativamente famosa, e mora em um alojamento de artistas juntamente com os demais integrantes da banda Black Stones - ou simplesmente Blast -, a banda de Nana Oosaki, que eventualmente consegue almejar o tão esperado sucesso. Ela acaba se envolvendo com Nobuo, o guitarrista da banda, e os dois juntos acabam protagonizando algumas das cenas de sexo mais quentes já vistas em um mangá josei.
Não, sério, os dois não podem se encontrar que já começam a transar feito roedores no cio. Acho que anos e anos atuando em filmes eróticos deixaram a menina muito mal acostumada. E como Nobu tinha acabado de levar um pé na bunda e ultimamente não pegava nem resfriado, acabou juntando a fome com a vontade de comer.
... Metaforicamente falando.
Mas enfim, fato é que Yuri acabou se tornando meio impopular, por ser vista mais como uma válvula de escape para a carência afetiva e sexual de Nobu, do que realmente como uma pessoa para ficar ao lado dele e ocupar um lugar maior do que uma mera transante. E sejamos honestos, as atitudes da menina não ajudam muito a mudar essa visão.
Digo, Yuri é tremendamente ciumenta e grudenta, e não pode ver Nobu simplesmente olhando para outras mulheres que já começa a ter um ataque de pelanca e tenta desviar a atenção dele para outras coisas - normalmente, seu corpo ou sua atuação em filmes pornôs. Ela também não disfarça muito no momento em que encontra outros homens interessantes para ela e logo começa a se insinuar, como fez com Ren no karaokê. Claro, há pouca seriedade nessas investidas, mas para alguém que vive no pé do ficante para que ele não dê atenção a outras mulheres, a hipocrisia tá batendo forte aqui.
Mas, apesar de tudo isso, Yuri tem uma característica muito peculiar, que é o que realmente me fez ganhar uma admiração maior por ela. Ela não tem medo de ser ela mesma.
Nos dias de hoje, apesar de todos os avanços, infelizmente ainda vivemos em um mundo injusto para as mulheres. Constantemente somos alertadas para o fato de que não somos donas de nosso próprio corpo ou de nossa vontade, que não devemos fazer isso ou aquilo, e que qualquer coisa que aconteça de ruim envolvendo nossa sexualidade ou capacidade reprodutiva será nossa culpa, por não termos nos preservado ou nos abstido. Com isso, somos perpetuamente condenadas a andar "na linha", evitando entrar em relacionamentos puramente por atração sexual ou sendo obrigadas a falar e agir somente em conformidade com o que a sociedade, a moral e a religião definiram que é o "certo" para uma mulher de bem.
Yuri sabe muito bem que os homens a enxergam muito mais como um objeto de desejo do que como uma pessoa. E ela não tenta ser mais do que ela sabe que é. Ela seduz simplesmente porque sabe que esse é o seu maior ponto forte, e se utiliza disso para obter o que quer - como tantas outras pessoas fazem por aí. Como ela mesma chega a dizer em um certo ponto da série: "Em meu meio de trabalho, ser certinha não leva a lugar algum".
Ela é espontânea e absolutamente sincera em tudo o que faz, por mais reprovável que seja para a sociedade. E o mais importante, ela não está nem aí para a opinião alheia.
Ocasionalmente, ela conhece Nobu e se esforça para ser reconhecida como uma namorada "de verdade". Chega até mesmo a cogitar largar a carreira de atriz pornô para ficar com ele. Mas Yuri realmente gosta do que faz, ama seu trabalho, e no final decidiu continuar atuando, mesmo sabendo que Nobu poderia não gostar. Em resumo, ela se esforçou muito mais para manter seu estilo de vida e suas vontades do que para agradar a vontade do parceiro. E sinceramente, não acho que ela deveria fazer o contrário.
Como uma fã assídua de mulheres que mostram um grande dedo do meio para a sociedade e tudo o que ela pensa a respeito da moral feminina, eu não poderia deixar Yuri de fora dessa lista.
Aliás, seu nome verdadeiro é Asami Matsumoto. Em japonês, "Asami" significa "mar de manhã". Durante uma conversa com ela, Nobu assume: "Adoro o mar de manhã".
E por ter protagonizado um momento tão fofinho, Yuri merece estar na minha lista de favoritos.
E ela poderia protagonizar outros momentos fofinhos com Nobu, se Ai Yazawa terminasse o mangá...
Mas ela nunca terminará...
4º Lugar: Ginpei Moroboshi
Com o sucesso repentino da banda Blast, Ginpei foi contratado para ser o agente pessoal e pseudo-segurança da turma de Nana Oosaki. Vocês sabem, aquele cara que controla a agenda de shows e entrevistas, evita que os artistas sejam esmagados pela turba de fãs em polvorosa, afasta os repórteres mais inconvenientes, divulga mensagens amistosas quando há um divórcio no meio artístico para que todos pensem que os envolvidos são pessoas maduras e que aceitaram a separação numa boa ao invés de tentarem estrangular um ao outro, e age como um verdadeiro confidente para os artistas que tem que cuidar.
Ginpei consegue fazer todo esse trabalho com maestria, provando que é um cara muito experiente no que faz. Ele também é incrivelmente engraçado, e consegue injetar uma boa dose de ânimo na série a partir da segunda temporada, quando a enxurrada de acontecimentos promovida pela autora deixa a história suficientemente densa para fazer com que metade do humor fosse embora.
Com seu jeitinho todo afeminado - ah sim, ele é gay -, Ginpei protagoniza algumas das cenas mais cômicas da série, sobretudo envolvendo Yasu, o baterista da banda, por quem ele nutre uma mal disfarçada atração sexual. Quando alguma periguete mais atrevida se insinua para Yasu, Ginpei rapidamente o agarra dizendo: "Ele é meu!". Isso sem falar nas inúmeras vezes em que ele solta um "Sai pra lá, assombração!" ao mencionar uma mulher nua.
Não apenas isso, mas Ginpei por diversas vezes já demonstrou que, com seu jeito mais maduro e experiente de lidar com os problemas, as coisas poderiam ser bem piores caso ele não estivesse por perto. Diversos problemas surgidos na banda após o sucesso, como o alcoolismo, síndrome do pânico, solidão e a trágica morte de um dos personagens, tiveram um enorme apoio de Ginpei. Ele sabe exatamente ser rigoroso e até agressivo quando necessário, sem deixar de lado a compreensão, e por mais de uma vez salvou os membros da banda do fundo do poço.
Por tudo isso, Ginpei ocupa um lugar muito merecido em minha lista.
E por mim, ele seria o agente do Blast até a história contar como a banda termina...
O que não acontecerá, óbvio, afinal Yazawa não terminou o mangá, nem o fará...
....
Vamos em frente!
3º Lugar: Nana Komatsu
Carinhosamente chamada de Hachiko ou Hachi por seus amigos - e vou chamá-la assim daqui em diante, pra não confundi-la com a outra Nana -, ela foi criada com muito amor por sua família, composta por um pai que tá mais pra um tiozão, uma mãe prevenida, e duas irmãs, uma mais velha e madura, e outra mais nova e que faz o irritante gênero das ko-gals - meninas japonesas que se bronzeiam artificialmente e pintam o cabelo de loiro.
O resultado é de gosto um pouco... duvidoso. Clique aqui se tiver curiosidade e tire suas próprias conclusões.
Pois bem, Hachi sempre cresceu cercada de mimos e carinhos, e sempre achou que o mundo fosse assim, simples e sem dificuldades. No ensino médio, tornou-se obcecada em encontrar o "verdadeiro amor", e se apaixonava facilmente por qualquer um que tivesse uma mínima semelhança com um homem - desde o entregador de pizza até o professor de artes.
Mas foi com um homem casado que Hachi teve sua primeira experiência amorosa e sexual. E quando este homem a deixou para ir morar em Tóquio com a esposa, ela achou que o mundo tinha acabado. Ficou mal, deprê, chorava sem parar, e não parava de encher o saco de sua melhor amiga e colega de classe, Junko, que muito pacientemente ouvia o chororô da amiga e lhe dava uns belos choques de realidade que a menina realmente precisava ouvir. Quem nunca passou por isso um dia? Quando se ama e não é correspondida, a noção do que é certo ou errado, do que é moral e não é, e o amor próprio muitas vezes vão pro ralo.
Bem, Hachi acaba se recuperando do coração ferido e passa a namorar Shoji, amigo de Junko, que por sua vez passa a namorar Kyosuke, amigo de Shoji. Os quatro se tornam inseparáveis e passam a maior parte do tempo juntos. Mas a fase adulta chega para todos, e Junko, Kyosuke e Shoji decidem se mudar para Tóquio para prestar o vestibular.
Hachi, que sempre foi ultra dependente de seus amigos, rapidamente se lembra do abandono anterior e fica inconsolável, achando que mais uma vez perderá todos aqueles que ama. Para não ficar pra trás, ela decide também prestar vestibular e ir morar na capital japonesa, pensando apenas em ficar o mais próximo possível de seus amigos.
Sim, as motivações iniciais de Hachi são questionáveis, já que ela em momento algum pensa realmente em se tornar independente. Tudo o que ela quer é ficar perto das pessoas que a mimam e a adoram, sem nenhum plano preestabelecido e sem pensar nas questões práticas, como poupar dinheiro, pagar aluguel, ou mesmo trabalhar.
Essa personalidade extremamente carente faz com que Hachi tenha uns desentendimentos bem feios com Junko - que é realista ao extremo e não tem dó de puxar a orelha da amiga quando necessário - e com o próprio Shoji, que com o tempo não aguenta ficar com Hachi e acaba terminando com ela. No entanto, é essa mesma personalidade que molda o futuro caráter de Hachi e a torna mais madura e responsável durante o desenrolar da trama.
É verdade que ela vai levando uns tombos bem feios no meio do caminho. A falta de planejamento financeiro, a eterna busca por um amor perfeito e a carência afetiva a fazem tomar decisões lamentáveis, mas é preciso entender que tais coisas fazem parte do processo de amadurecimento de qualquer pessoa. Ninguém descobre que o mundo não é cor de rosa se não vislumbrar o lado negro dele. E justamente por descobrir o quão o mundo pode ser perigoso, mundano e frívolo, Hachi consegue crescer e caminhar com seu próprio par de pernas.
Qualquer mulher consegue se identificar com pelo menos um aspecto da personalidade de Hachi. Em algum momento todas nós já tomamos uma decisão errada, já metemos os pés pelas mãos, já nos descontrolamos financeiramente, já choramos no ombro de alguém por um amor perdido... Mas também em algum momento tivemos que nos reerguer e pensar no que realmente queríamos para nossas vidas.
Hachi é uma personagem 100% orgânica, apresentada pela autora sem floreios ou romantismos, e conforme vamos nos envolvendo com a história, é impossível não simpatizarmos com Hachi. Por mais que tenhamos vontade de lhe dar uns tapas em alguns momentos, o otimismo e alegria da menina acabam se sobrepondo a qualquer sentimento de incredulidade que possa surgir. E a amizade com Nana Oosaki apenas fortalece ainda mais o processo de solidificação da realidade pela qual Hachi passa, já que sua xará é seu completo oposto e conhece bem a escuridão do mundo lá fora.
Por tudo isso, e por acabar me identificando com muitos aspectos de Hachi, ela merece estar em terceiro lugar.
E ela merece um final feliz... Seja lá qual ele for... Pois a autora nunca vai terminar o mangá...
....
Não tô inconformada, eu juro!
Palavra!
2º Lugar: Naoki Fujieda
Ah, fala sério, Naoki é um cara mó legal!
Sabe aquele amigo que é tão chato, mas tão chato, que acaba se tornando legal? Aquele amigo que tá sempre falando na tua orelha sem parar, enquanto você tá de boas, só tentando comer seu pastel de queijo com caldo de cana? Que volta e meia empata a tua foda sem querer? Aquele amigo que, quando vai embora, fica um silêncio insuportável e você fica sem saber o que fazer pra preencher o vazio que subitamente se instalou ao seu redor?
Pois é, esse é o Naoki!
Naoki é o baterista da banda Trapnest, rival do Blast, e é uma dor de cabeça pra quase todo mundo. É tagarela e muitas vezes insuportável, mas é um cara muito bacana que tá sempre colocando o humor da equipe lá em cima.
Como todo chato que se preze, Naoki tem o hábito de meter o nariz onde não é chamado, e volta e meia toma atitudes cheias de boas intenções, para o desgosto do líder Takumi, o baixista da banda (e do qual falarei muuuuuito em um outro artigo futuro...).
Por exemplo, quando Hachi passou a morar com Takumi, e a banda deu uma festa para comemorar em conjunto os aniversários de Reira, a vocalista do Trapnest, e Shin, o baixista do Blast, Takumi não convidou Hachi para ir, pois ela ainda vivia longe dos olhares do público e ele não queria expô-la. Naoki convidou Hachi por conta própria e a levou pessoalmente até a festa, onde ela reencontrou seus amigos depois de muito tempo e se divertiu muito, a contragosto de Takumi.
E quando um dos personagens morre, foi Naoki quem deu a má notícia a Reira, pois ele foi a única pessoa com quem Reira teve vontade de conversar após ter uma crise psicológica e se isolar do mundo. Considerando o quanto Reira é insuportável, Naoki conseguiu uma proeza imensa ao conseguir falar com a alecrim-dourado-que-nasceu-no-campo-sem-ser-semeado.
Em resumo, Naoki é aquele cara chato e inconveniente, mas cuja chatice e inconveniência acabam salvando o dia de alguém vez ou outra. E por mais que neguem, todos gostam dele, especialmente Yasu (com quem ele tem altos papos e fica sabendo de altas fofocas) e Reira, que inclusive menciona que, de tanto Naoki pegar no pé dela, acaba ficando com vontade de desabafar com ele.
Naoki é a cola que une o Trapnest, e no futuro - já que uma parte da história se passa alguns anos depois -, quando a banda já havia se esfarelado, é Naoki quem dá uma bronca em Takumi por estar tão desanimado em retomar com o grupo, dizendo que está apenas esperando Takumi chamá-lo para que o Trapnest possa voltar.
E quem leu a história da adolescência de Naoki, sabe que é uma das histórias mais engraçadas já escritas por Ai Yazawa.
Por tudo isso, ele merece um lugar ainda mais alto que a Hachi!
E merece um final tão feliz quanto o da Hachi....
Final este que nunca chegará...
...
E o personagem mais legal de Nana para mim é....
Fala sério, não tem como não gostar do Yasu!
Não conheço ABSOLUTAMENTE NENHUM fã da série que não goste dele. Ele é amado, idolatrado, salve salve por toda a comunidade Nana-lover, e não há discussão alguma sobre isso!
Pra começar, Yasu é o fundador e líder da banda Blast, e é o baterista e integrante fixo desde a adolescência, quando Ren ainda fazia parte da banda como baixista.
Ele é órfão e foi adotado por um casal rico ainda criança, mas longe de ser um mauricinho, continuou a ser um cara simples e bacana, e sempre manteve um contato muito próximo com Ren, que viveu no orfanato com ele e com quem tem uma relação fraternal.
Desde os tempos de escola ele sempre foi ultra-super-mega-cool, aluno exemplar que conhecia cada pessoa dentro da escola e, como presidente do corpo estudantil (coisas do Japão), sabia exatamente o que fazer para controlar os alunos mais problemáticos.
Quando Takumi, que estudava com ele, começou a ter ataques de rebeldia e quebrar os vidros da janela da escola toda, foi Yasu quem propôs à direção a compra de instrumentos musicais para formar a tão sonhada banda de Takumi - com a condição de que ele nunca mais quebrasse uma única vidraça da escola.
Quando Ren, que também curtia música e tocava guitarra e baixo, reclamou que não tinha ninguém com quem formar uma banda, Yasu começou a tocar bateria apenas para poder formar uma banda com o amigo.
Quando Reira, que sempre foi apaixonada por Takumi, começou a afundar psicologicamente diante do amor não correspondido, foi Yasu quem a tirou do fundo do poço e lhe ofereceu conforto, afeto e carinho - embora eu particularmente acredite que ele nunca a amou de verdade. Reira se sentia à vontade para desabafar com ele, chegando a dizer que ela não valia nada se não cantasse, frase que permaneceu gravada no coração de Yasu para sempre, mesmo após o término do namoro.
Quando Ren foi convidado pelo Trapnest para fazer parte da banda e se mudar com eles para Tóquio, mas tendo que abandonar o Blast e sua namorada, Nana Oosaki, foi Yasu quem o encorajou, dizendo que ele tinha um enorme talento que seria desperdiçado caso ele permanecesse na cidadezinha na qual moravam, sem qualquer expectativa de um futuro promissor.
Pra completar, Yasu é o ouvidor, conselheiro, psicólogo, psiquiatra e advogado oficial do Blast e de todos que façam parte da convivência do grupo. Mesmo com essa terrível cara de homem mau, Yasu sabe ser extremamente sensato, e mesmo nas situações mais difíceis, sempre tem um excelente conselho pra dar.
É Yasu quem aguenta toda a instabilidade emocional de Nana, ouvindo suas reclamações, choros e desabafos, sem nunca questioná-la ou pressioná-la. Isso gerou uma baita dependência de Nana em relação a Yasu, fato que já causou diversas desavenças entre os dois no decorrer da série. De fato, Nana é completamente apaixonada por Yasu - embora continue o namoro com Ren, sabe-se lá por qual razão -, sempre dá uma bela desculpa pra estar com ele, e quando o vê com outra mulher, sempre dá um chilique horrível que normalmente termina com uma noite de bebedeira e consumo desenfreado de cigarros.
E em determinados momentos, quando Yasu precisa ser firme com Nana, ele simplesmente para de consolá-la e diz que ela precisa voltar ao trabalho. Yasu tem a mais plena consciência de que não ficará ao lado de Nana para sempre, e tenta a todo custo desmamá-la, ainda que a custo de sua própria amizade.
Nobu é outro a quem Yasu vive dando conselhos, especialmente no setor amoroso, diante do triângulo amoroso Nobu-Hachi-Yuri. Nobu é um cara avoado, que tem uma visão completamente idealizada do mundo e das mulheres, e é Yasu quem volta e meia o faz voltar à realidade, mostrando ao guri como a vida realmente é e como ele precisa agir se quiser sobreviver no mundo. Mais ou menos como a relação entre Junko e Hachi.
Ren é um caso mais problemático, pois além de ser amigo de infância de Yasu e praticamente um irmão para ele, também é o namorado de Nana, que nutre um indisfarçável interesse amoroso pelo careca. Yasu não pega leve com o amigo e sempre lhe dá as piores das broncas quando vê o amigo desestabilizado ou sob efeito de drogas, momentos em que Ren perde completamente a noção da realidade e precisa que Yasu o faça voltar ao mundo real, muitas vezes através de provocações.
Yasu é inteligente, calculista e rápido no gatilho, não deixando barato quando o assunto é proteger seus amigos. Já deu um soco em um paparazzi que perseguia Nana, mitou geral em vários repórteres inconvenientes quando o Blast estreou profissionalmente, levou Reira de volta ao estúdio do Trapnest quando ela fugiu e se escondeu em sua casa, para preservar a própria carreira dela, trouxe Shin de volta à banda quando este saiu da prisão depois de uma grande cagada que ele fez... Os feitos de Yasu são múltiplos. A autora sabe bem o papel que Yasu tem na trama e o aproveita muito bem.
Uma das maiores ações de Yasu foi quando Naoki levou Hachi para a festa conjunta de aniversário de Reira e Shin. Takumi, obviamente, não gostou nada da história, e assim que viu Hachi na festa, a pegou pelo braço com força (sendo que Hachi estava grávida de seu próprio filho), e lhe deu uma baita bronca, forçando-a a ir embora da festa. Naoki chamou Yasu, o único com culhões pra peitar Takumi de frente, e nosso amado careca mitou geral ao passar por Takumi dizendo: "A Hachi é nossa convidada. Não vou deixar que faça com ela o que bem entender".
Yasu não tem medo de nada, nem de ninguém! Pro inferno com Takumi, aquele desgraçado filho da puta!
SIM, EU ODEIO O TAKUMI!
Diante de todo este relato, não tem como não amar Yasu, não é verdade? E pra mim, ele mais do que merece o primeiro lugar!
E MERECE O MAIS FELIZ DE TODOS OS FINAIS!!
UM FINAL AINDA MELHOR QUE O DE TODOS OS PERSONAGENS DA SÉRIE!
E SABE QUANDO ESTE FINAL VAI CHEGAR? SABE? SABE???
....
NÃO VOU SUPERAR ISSO NUNCA!!
Menções Honrosas:
Eu gosto bastante do Nobu. Ele é legal, sincero, tem o coração puro e uma ingenuidade bem simpática.
Mas ele é um cara tão besta, sonhador e sem iniciativa, que se torna insuportável com o passar do tempo.
Assim como Hachi, Nobu foi criado em uma família amorosa, e sempre teve tudo o que queria. Tal qual Hachi, ele acredita que o mundo é lindo, maravilhoso e super fantástico, no Balão Mágico, e quando se depara com uma situação que exige mais malícia e malandrismo, já fica "AAAARGH, que baita mundo injusto, meu! Isso não se faz! Vou ficar aqui no canto e chorar até tudo se resolver!"
Se não fossem pela persistência e hiper realismo de Shin e Yasu, que estão constantemente pegando Nobu no ar pelos pés e puxando-o de volta ao planeta Terra, o guri com certeza já tinha se mandado pra alguma praia paradisíaca, morando numa barraca, bebendo ayahuasca e conversando com o Sol sobre como o mundo é um lugar frio e cruel, e como seria bom se existissem apenas cachorrinhos, gatinhos, arco-íris e sorvete de flocos.
A falta de realismo e iniciativa de Nobu são gritantes, como quando sua namorada Hachi fica grávida e ele simplesmente não sabe o que fazer, diante da informação de que o pai pode ser Takumi. A solução mais rápida pra ele foi sair da vida de Hachi e se fazer de vítima, espalhando aos quatro ventos que ela não presta, sem sequer ouvir sua versão da história.
Somente mais tarde, com os duros golpes dados pela professora chamada Vida, é que ele começa a ficar mais esperto. Mas ainda tem um longo caminho a percorrer rumo à plena maturidade, e isso é algo que jamais iremos ver, pois Ai Yazawa jamais terminará o mangá...
É... Pois é...
Fazer o quê...
Kyosuke Takakura
Kyosuke é um cara do bem, melhor amigo de Shoji e namorado de Junko. Volta e meia dá uma de irmão mais velho e vive aconselhando Hachi e Shoji, mas de uma maneira bem mais light do que Junko.
Fora que o cara é um herói por ter dado uns pegas na mulher mais ranzinza e amarga do mangá.
HERÓI, é o que eu digo!
O mangá deveria ter seguido e desenvolvido mais o Kyosuke, não acham?
Takafumi Kawano
Kawano é um produtor da Gaia Records, a gravadora do Blast, e foi quem descobriu a banda em um show.
Ele colaborou muito com a equipe e se empenhou de verdade pra lançar a banda do jeito que os integrantes queriam. No entanto, a estreia não foi exatamente como esperavam, mas mesmo assim Kawano permaneceu ao lado dos integrantes da banda, até ser dispensado pela diretoria e ocupar outro cargo.
Tornou-se bastante próximo de Yasu, com quem teve longas negociações, e foi em parte graças ao seu empenho que a banda encontrou o sucesso.
Ele aparece pouco no mangá, por isso merece apenas uma menção honrosa.
E um final digno no mangá...
É isso pessoal, espero que tenham gostado! Não deixem de comentar sobre seus personagens favoritos de Nana!
Kisses and bye-bye! 💓











